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José Padilha, diretor do filme "Tropa de Elite" deixa o Brasil

José Padilha, diretor do filme "Tropa de Elite" deixa o Brasil

A “Revista Trip” apresenta um ótimo e curto documentário/entrevista com o José Padilha, diretor, escritor, produtor. No seu curriculum filmes como “Tropa de Elite”, “Tropa de Elite 2”, “Ônibus 174”, “Robocop”. Na entrevista “José Padilha revela que deixou o Brasil depois de sofrer uma tentativa de sequestro e fala sobre segurança pública: “Antes de ocupar a favela, você tem que ocupar o batalhão da polícia”. “(Revista Trip).

 

INTRODUÇÃO

Por anos em entrevistas para jornais e tvs, sempre coloquei meu ponto de vista ou análise de um fato específico sobre segurança pública, policias, diminuição da maioridade penal, e sempre, em razão do curto espaço nesses meios de comunicação, nem tudo que falo vai ao ar ou é escrito na matéria, com todas as palavras.

O documentário/entrevista do José Padilha, é excelente e permite fortalecer todos esses pontos que volta em meia voltam ao debate nos meios de comunicação e por isso sempre sou convidado a fazer análise sobre essas matérias.  

Ando um pouco preguiçoso para escrever, pois é verdade que gosto mais de falar, e desde que voltei da minha viagem aos EUA onde tive a oportunidade de ficar cerca de 17 dias em visita a três estados americanos e muitas cidades, culminou ao regressar ao Brasil com o que chamo de “Choque Cultural” que ainda não me permitiu a adaptação total na minha terra natal, BRASIL, venho pensando em escrever algo sobre tudo que vi e constatei nos EUA e o que sempre vivi aqui no Brasil, entretanto, a preguiça e falta de inspiração ou sei lá o que, até então não me deixaram escrever uma única linha sobre esse assunto. Hoje, 19 de julho de 2015 após um pequeno aborrecimento doméstico, me tranco no escritório, resolvo entrar no face, fato que a cada dia faço menos, e me deparo com esse vídeo/documentário, que resume tudo que já cansei de falar em entrevistas, e tudo que gostaria de escrever desde que retornei ao Brasil.

Infelizmente as pessoas não tem mais o hábito de ler, principalmente se o texto tiver mais de 5 linhas, o que certamente levará esse texto, a ser lido por poucas pessoas, e somente por aquelas, que como eu, gostam de ler e se aprofundar um pouco mais no tema “Segurança e Violência”, o que já está cansando a todos, inclusive a mim.

VIAGEM AOS EUA

Essa viagem aconteceu sem querer, sem ser programada, sem poder e surgiu de uma conversa com meu irmão Roberto Aragão que mora faz muitos anos fora do Brasil, durante uma conversa rotineira pelo Skype ele me surpreende com o presente da passagem de ida e volta. Agora, após o meu retorno, mais do que nunca, entendo quando meu irmão diz que não pretende voltar a morar em terras brasileiras, pois eu faria o mesmo se pudesse voltar no tempo e ter ido junto com ele para os EUA.

Visitei cidades com casas construídas em 1700, 1800, em perfeitas condições e simplesmente lindas. Casas sem muros, com varandas e suas cadeiras, e muitas coisas me chamaram a atenção. A educação, onde todos respeitam o trânsito, e aqueles que vi não respeitando, não eram americanos. Onde crianças tem prioridade em tudo, sem contar os ex-militares e militares da ativa que são tratados pelo povo e por todos os lojistas como “HERÓIS”. Ao dirigir por algumas cidades fiquei “perplexo” pois todos os motoristas param seus carros no ato que um cidadão coloca um dos pés no asfalto, e só sai do lugar quando esse cidadão chega ao outro lado da rua, perplexo sim, pois aqui no Brasil, na faixa e com o semáforo fechado para os carros, você corre o risco de ser atropelado. Em quase todas as casas e em todos os prédios públicos e privados vi grandes e pequenas bandeiras americanas tremulando. Pessoas nas ruas com bonés, roupas ou um simples broche com a bandeira americana o que traduz o orgulho que eles tem da sua terra e do seu povo, mesmo tendo alguns pequenos problemas políticos e não sendo perfeito o seu sistema (existe um sistema perfeito?), mas nada que se identifique com o que assistimos no Brasil. Nas TVs assisti policias sendo condecorados por bravura e elogios por cumprir seu dever, diferente daqui, onde o policial que cumpre o seu dever acaba com um processo e afastado das ruas, pois nossos políticos não estão nem aí, com o que possa acontecer conosco população ou com os policiais, pensam apenas na eleição seguinte e em aumentar os próprios salários, em desarmar a população, mas não abrem mão dos seus seguranças e de carros blindados.

RETORNO AO BRASIL

Voltei com a certeza que somos um povo “cordeiro”, sem educação, sem cultura, e que teima em cometer os mesmos erros ao reeleger os mesmos corruptos de sempre, pois a nossa memória e curta. Temos assistido diariamente que somos um país de corruptos e que está institucionalizado e enraizado como um câncer cuja cura é a morte. Desde o descobrimento do Brasil, somos roubados, massacrados e nada fazemos, por isso, alguns poucos que tem coragem ou condições, se mudam do Brasil para não mais voltar, pois até a nossa bandeira já virou “Vermelha”. Nos EUA se vende bandeira americana em Supermercados, e diversas lojas e dos mais diversos ramos…nacionalidade e cidadania acima de tudo. E aqui?

Ah! Aqui, andamos com medo nas ruas, colocamos grades nas janelas em casa, e sequer podemos usar relógios ao andar pelas ruas para não sermos assaltados…triste Brasil!

SEGURANÇA PÚBLICA

Todos os dias ao abrirmos os jornais nos deparamos com notícias de centenas de assaltos, assassinatos, estupros, latrocínios, prevaricações, corrupções, lavagem de dinheiro, extorsões, mensalões, ou seja crimes institucionalizados que já inseridos na nossa cultura medíocre, já viraram rotina e o povo anestesiado já nada faz, nem reage. Somos um povo tão sem cultura, que “pagamos” milhões de reais para fazer um referendo (eleição) sobre a proibição da comercialização de armas de fogo e munições no Brasil no dia 23 de outubro de 2005, ocasião em que 59.109.268 (cinquenta e nove milhões, cento e nove mil, duzentos e sessenta e oito pessoas) ou seja, 63,94% da população votante disse um gigantesco NÃO. Mesmo assim até hoje o governo se nega a cumprir o referendo. Mas quando o povo fala em “Impeachment” da nefasta presidente do Brasil, pelos escândalos mais que comprovados, ela e sua tropa de choque, dizem que é GOLPE. Esse é o Brasil em que vivemos atualmente.

Falar de segurança pública é uma piada, pois estamos exaustos de tanto falar das burrices que se praticam, da falta de PPSP – Políticas Públicas de Segurança Pública e seus subsistemas que a grande maioria dos secretários de segurança, sequer sabem do que se trata e de como elaborar pelo menos um projeto, pois são meros coadjuvantes políticos do seu senhor, o governador e não um técnico de carreira com formação em gestão de segurança ou um especialista pelo menos com notório saber nessa área tão especializada.

Somos um dos poucos países do mundo que ainda utiliza o modelo de polícia militar, e que possuí inquérito policial um instrumento, dizem os juristas, é nefasto e protelatório, dando apenas margem para se manter o maior tempo possível longe da prisão, os bandidos de toda espécie.

A Polícia é solução para tudo? Um grande erro de quem pensa assim, pois não temos uma polícia especializada, com doutrina unificada, compartilhada, sem vícios. Nossa policia trabalha sem estrutura, sem treinamento, sem remuneração, sem apoio, sem número suficiente para enfrentamento ao crime, onde a luta é desigual. Onde os políticos vivem querendo desarmar até o policial, quando esse ser que dá seu suor e sangue é policial 24 horas por dia, onde direitos humanos só existem para bandidos, pois nunca vi nem ouvi que alguém dos direitos humanos tenha procurado a família de um policial morto em ação, para dar apoio, nem tão pouco o governante se preocupa com ele e sua família. O cidadão comum então, nem se fala, para a turma dos direitos humanos, o cidadão de bem, não é humano, e acredito que nem cidadão, trata-se apenas de um lixo que não rende fruto para eles, mas tão somente para políticos que caçam seus votos em épocas de eleição e depois os esquecem.

MAORIDADE PENAL

Em falando de lixo, a onda crescente da criminalidade, ganha vulto na modernidade das TVs, Jornais, Internet, e o povo clama por liberdade, por paz, pelo direito de ir e vir e a solução mais rápida para a maioria da população é “varrer o lixo” para debaixo do tapete, ou seja, pegar o menor que cometeu crime e jogá-lo na cadeia, na vala comum onde as condições de ressocialização são mínimas e na maioria dos lugares inexistente. Acabaram de aprovar uma lei onde o menor que cometer crime hediondo poderá cumprir 10 anos de cadeia. Vamos as contas: um menor preso aos 17 anos, sairá da cadeia (se cumprir o total da pena) com 27 anos. Resumindo, vai entrar um gatinho, se graduar em crime, pós-graduação e ao voltar para a sociedade será um LEÃO pronto a devorar toda e qualquer pessoa que cruzar seus caminhos, por vingança, por já não ter mais condições de voltar ao bom convívio social, ou seja, seu final será matando e morrendo. A diminuição da maioridade penal não é, e nunca será o melhor caminho. O melhor caminho é nivelarmos esses menores, dando as mesmas condições que nós que temos alguma condição, proporcionamos aos nossos filhos. Não se tira uma menor que está na 3ª, 4ª ou 5ª geração em ambiente hostil, onde desde que nasceu, o crime e criminoso são coisas comum para eles, assim como é comum para nossos filhos, nos ter como exemplos, de ir para boas escolas, frequentar bons restaurantes, ter acesso a cultura, escola, etc.…eles, esses menores que nasceram à luz da violência e do crime, não são nada parecidos com os nossos filhos, são marginais ou seja, aqueles que nasceram à margem da lei e da sociedade em que vivemos. E para nossos políticos...ah! para nossos políticos o melhor caminho é dar o que a população quer, ou seja, varrer o lixo para debaixo do tapete, jogando um menor que poderia ter uma oportunidade, assim como o meu e o seu filho, mas ao invés disso, jogá-lo na cadeia e esperar que o LEÃO volte para nos devorar. Que tal estudar mais esse assunto, e discutir após períodos eleitorais? Que tal procurar a cura e não a eutanásia?

Enquanto tivermos políticos e ministros, como bem demonstrou o José Padilha que fazem discurso para o povo sobre ética e moral mas chamam amigos para assistirem filmes pirateados, não teremos a menor chance de virar o jogo da corrupção, pois esses políticos, pensam que comprar um filme pirata, pagar 50 reais para não ser multado não é crime, entretanto quando são pegos com os “cuecões” cheios de dólares recebidos de maracutaias e arranjos financeiros para que alguns ganhem contratos junto ao governo, o que se chama isso? E olha que esse tipo de político começou apenas com um filme pirata, mas de maneira hipócrita, quer prisão para um menor que nasceu dentro do crime, onde seu herói é o traficante e que não teve acesso as oportunidades e direitos constitucionais básicos, como escola, hospitais, emprego, cultura.

Que Deus, os Anjos, os Espíritos, os Santos, nos ajudem, mas a única solução a curto prazo é rezar, rezar muito para não acontecer conosco o mesmo que aconteceu com “Sodoma e Gomorra”.

José Padilha, você conseguiu resumir muito bem, o que tantos gritam por anos a fio, sem serem ouvidos, continue a escrever e demonstrar o que acontece por aqui, quem sabe um dia, o POVO ACORDA.

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Quinta, 06 Agosto 2020

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